terça-feira, 8 de junho de 2010

A Palavra é...

Gosto da liberdade que a palavra me concede...
da clausura de um verso solto e livre, sem métrica.
Nesta nave chamada palavra, me submeto rotineiramente e desmonto todas as rotinas, posto que sempre o inusitado acontece. A solidão se foi para longe desde que me visitaram as palavras e o poema. Este, meu mais íntimo companheiro, sempre me surpreende e comove, porque suas faces nunca me cansam, nunca são as mesmas!
E ... se porventura algo se repete é sempre para marcar um tom, uma melodia das esferas, esferas tão terrenas e banais quanto transcendentais...
- sobretudo - pareço-me com a palavra - aquela que ainda não encontrei - ou aquelas todas minhas amigas companheiras comadres - aqueles vocábulos meus de toda tarde noite manhã - saindo das páginas que ainda não li e que vivem de me instigar para que o faça tão proximamente.
Gosto amo de me perder das vírgulas e emaranhar-me nelas as palavras sobretudo quando me vêm pela madrugada frias e duras pontiagudas me levando a querer morrer - para logo me deixarem ávida de mais vida apenas para mais as adorar e viver de nelas mergulhar - adoro palavras descansadas e tímidas - palavras pétalas, caindo, desfazendo-se feito lágrimas - porque é uma coisa linda a lágrima - a coisa mais linda...
Até a palavra lágrima é por si mesma algo de poético - nem sempre triste - mas poético... tudo o que é poético é algo que não se explica, nem se diz - porque quando se diz a essência se esvai, se perde - feito lágrima - feito perfume se volatizando - palavra é muito sutil...

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