terça-feira, 8 de junho de 2010

Eu bem sei quando o digo...

Você já ficou contemplando as águas do mar engolindo a areia da praia? E as gaivotas indo e vindo? Já se deixou hipnotizar pela lenta ondulação do mar, pelo mistério do ar, do vento sacudindo as folhas de uma árvore grande beira de rio?
Sabe do que falo quando pinto a dança que os crisântemos realizam nos campos? do milharal - da roseira solitária - dos pingentes orvalhados brilhantes e tímidos da relva aparada antes do crepúsculo?
Sabe do que comentam as andorinhas fim de tarde depois que voltam de não sei onde que estavam? Porque somem todas durante o dia? e voltam de tardezinha, dançantes e barulhentas?
Sabe qual a melodia quando falo das cantigas de ninar para os meus bebês, todos enfiados nas franjas das minhas saias, embrulhados nas dobras dos meus braços? de como era quente o corpinho suado ressonando embalado na hipnose do cântico moroso de apenas algumas sílabas repetidas todas em alguns murmúrios?
Sabe de como é botar a mão fora da janela a ver se o vento é frio demais pra deixar a molecada sair para o quintal onde romãzeiras florescem?
Eu sei que o bom do viver são pequenos nadas que se multiplicam quando lhes damos importância - e tenho destes tantos retalhos a minha colcha já grande - abrigo alheio...
Sei que o viver é feito de mortes diárias e renascimento contínuo - folhas, sementes, crepúsculos e nuvens, tristezas estúpidas e angústias inomináveis - alegrias minúsculas - feitas de quase nada...
Sabe do que falo?
Eu bem sei quando o digo...

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